Brasil e Arábia Saudita fortalecem parceria estratégica na mineração
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e o ministro da Indústria e Recursos Minerais da Arábia Saudita, Bandar Al-Khorayef, durante assinatura de acordo – Foto: Lula Marques | Agência Brasil.

Em compromisso oficial realizado na Arábia Saudita, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, participou na última segunda-feira (12/01) de reunião na sede do Ministério da Indústria e Recursos Minerais, em Riade, com o ministro saudita Bandar Al-Khorayef. O encontro teve como foco o aprofundamento das relações bilaterais e a ampliação da cooperação estratégica entre Brasil e Arábia Saudita no setor mineral.

Na ocasião, Silveira demonstrou interesse em receber, no Brasil, representantes da Manara Minerals para a análise de oportunidades de ampliação de investimentos em projetos minerais considerados estratégicos. O fundo saudita integra a sociedade da Vale Base Metals (VBM), divisão da Vale responsável pela produção de cobre e níquel — insumos classificados como minerais críticos e fundamentais para a transição energética global.

Como encaminhamento do encontro, os dois países definiram a criação de um grupo de trabalho bilateral, que contará com reuniões periódicas, inclusive em formato virtual, com o objetivo de avaliar iniciativas conjuntas e fortalecer a cooperação no segmento mineral.

O ministro brasileiro destacou a relevância dos investimentos sauditas na cadeia de transformação mineral no Brasil, priorizando a agregação de valor à produção nacional, a industrialização, a geração de empregos e o avanço tecnológico. Segundo Silveira, em um contexto internacional no qual os minerais críticos assumem papel equivalente ao do “novo petróleo”, a integração entre mineração, indústria e energia torna-se estratégica — modelo já adotado pela Arábia Saudita.

Durante as discussões, Alexandre Silveira apresentou os avanços recentes na governança do setor mineral brasileiro, com destaque para a atuação do Conselho Nacional de Política Mineral (CNPM). O órgão é composto por 18 ministérios e assessora diretamente o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, na formulação das diretrizes da política mineral do país.

De acordo com o ministro, o CNPM exerce papel fundamental na modernização do licenciamento ambiental, na simplificação de processos e no fortalecimento da articulação institucional, proporcionando maior previsibilidade, segurança estrutural e estabilidade para investidores.

“Mesmo sendo uma federação formada por diferentes estados, o Brasil tem avançado na harmonização da linguagem regulatória e institucional, sempre preservando princípios essenciais como a estabilidade legal, regulatória e política, além da segurança jurídica indispensável aos investimentos de longo prazo”, afirmou Silveira.

No campo dos investimentos, o ministro ressaltou o protagonismo das empresas brasileiras do setor mineral e os esforços do Governo Federal para viabilizar projetos estratégicos de minério de ferro de alta redução e de cobre. As iniciativas concentram-se principalmente nos estados do Pará e de Minas Gerais e buscam ampliar a competitividade do Brasil no mercado internacional.

Silveira também enfatizou o expressivo potencial geológico brasileiro, destacando que apenas cerca de 30% do subsolo nacional foi mapeado até o momento. Ainda assim, o país já se posiciona entre os principais players globais, sendo a segunda maior reserva mundial de terras raras e a sétima maior reserva de urânio, o que amplia as perspectivas para novas parcerias internacionais.

Ao encerrar a reunião, o ministro solicitou o apoio do Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita (PIF) para projetos voltados ao mapeamento do potencial mineral brasileiro, com o objetivo de expandir o conhecimento geológico do país e estabelecer bases sólidas para futuros investimentos estruturantes.